Seja bem-vindo. Hoje é

Mortadela leva carne de cavalo? Ciência no Prato - Por Marcos Nogueira, de Superinteressante)



FLORO BARTOLOMEU HÁ 70(90) MORRIA O “SATANÁS DE JUAZEIRO”, ALTER-EGO DO PADRE CÍCERO ROMÃO BATISTA Por Lira Neto Editor do Sábado

FLORO BARTOLOMEU HÁ 70(90) MORRIA O “SATANÁS DE JUAZEIRO”, ALTER-EGO DO PADRE CÍCERO ROMÃO BATISTA
Por Lira Neto Editor do Sábado

“Padre e merda pra mim são a mesma coisa”, esbravejava Floro Bartolomeu diante de um Padre Cícero atônico. Temido por todos, famoso por evaporar seus inimigos, Floro não tinha meias palavras nem mesmo para seu maior aliado, o “santo de Juazeiro”.
No Cariri, corriam a boca solta as histórias escabrosas da “rodagem”, estrada que ligava Juazeiro do Norte ao Crato. Local que, segundo consta, fora escolhido por Floro para a execução sumária de bandidos, arruaceiros ou, simplesmente desafetos.
Consta que as vítimas, mutiladas, abatidas a tiros de rifle ou degoladas à faca, eram deixadas à margem da estrada para servir de almoço para os urubus.
Com igual determinação, Floro invadiu Fortaleza com seus jagunços durante a revolução de 1914. Mais tarde, em 1925 (retificado 1926), deu a patente de capitão a Virgolino Ferreira da Silva o Lampião, e idealizou um exército de cangaceiros, o Batalhão Patriótico. A missão engalfinhar-se com a Coluna Prestes e trazer a cabeça do seu líder Luiz Carlos Prestes.
Floro era uma espécie de alter-ego do “Padim”. Um era o líder espiritual, pastor de um rebanho de sertanejos famintos de fé e de pão. Outro era o dr. De braço de ferro, justiceiro implacável. Cícero era o “santo milagroso”, aquele que fazia hóstias virarem sangue na boca de beata. Floro dizia pelas suas costas, “era o “monstro da rodagem”, o “Satanás de Juazeiro”. Deus e o diabo na terra do sol.
A amizade entre os dois virou simbiose. O carisma e o poder religioso do sacerdote encontravam no pulso forte de Floro o aliado perfeito. E visse e versa. Um era útil ao outro.
“O povo vencido pela adoração ao padre, jazia inconsciente aos pés do doutor. E assim foi sempre. Se o padre uma coisa que não lhe ficava bem, passava a imputabilidade ao doutor, menos escrupuloso, e o povo, sem saber mais distinguir um do outro, obedecia a este,como se fora aquele”, bem definiu o padre Manoel Macedo, então vigário de Juazeiro.
Foi amparado nessa relação estratégia que Floro se tornou vereador, conseguiu se eleger deputado estadual, e chegou à tribuna da Câmara Federal.
“Charlatão, inculto, bandido, ignorante, polemista iletrado, ladrão”. Estes foram apenas alguns dos adjetivos que Floro colecionou de seus inimigos ao longo da vida. Uma vida curta, encerrada em 8 de março de 1926, há exatos 70 anos, (corrigido para 90 anos, pois foi publicado em 1996).
"Floro Bartolomeu faleceu 2 dias após a entrega de armas, munições e uniformes ao bando de Lampião, feito em Juazeiro do Norte pelo então padre Cícero, mas com ordens do Floro. Acho que se o Floro Bartolomeu tivesse falecido antes do dia 6 de março de 1926, padre Cícero não teria mais entregue armamentos a Lampião e ao seu bando".
Fonte: Sábado O Povo
Fortaleza: 09 de março de 96
Ano: 2
Número: 90
Digitado e ilustrado por José Mendes Pereira

Este jornal foi a mim presenteado pelo pesquisador do cangaço e membro da SBEC- Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço Francisco das Chagas do Nascimento (Chagas Nascimento).
Fotos:
1 - Lira Neto;
2 - Floro Bartolomeu;
3 - Lampião;
4 - Luiz Carlos Prestes;
5 - Padre Cícero.

Jose Mendes Pereira

A um centímetro da morte - Gerald Thomas